segunda-feira, 9 de agosto de 2010

POR QUE?

Dr. Hyles
Já me sentei do lado de um pequenino berço,

E vi uma criancinha morrer.

Enquanto os pais se voltavam para mim,

perguntando, “Oh, pastor, por que?”


Já segurei a cabeça do esposo jovem,

E senti o ofegar e o suspiro da morte.

Uma viúva me olhou entre lágrimas e disse,

“Caro pastor, diga-me, por que?”


Já vi uma mãe chorosa,

Apertar a fotografia junto ao peito solitário,

e perguntar baixinho,

“Por que, pastor, por que, oh, por que?”


Já me afastei da terra das crianças,

Onde os bebês não-nascidos jazem.

Uma mãe estende os braços vazios,

E me pergunta, “Pastor, por que?”


Já ouvi o som da bengala de ponta branca,

Que guia os olhos cegos,

E então uma voz solitária e sombria grita,

“Pregador, mostre-me porque.”


Já enxuguei as lágrimas ardentes de uma noiva,

E ouvi seu lamento solitário

Ela tinha nas mãos um vestido de casamento sem uso,

E gritou, “Pastor por que?”


Já ouvi o paciente de câncer dizer,

“Para mim morrer é lucro,”

Depois olhar no rosto da filha,

E sussurrar silenciosamente, “Por que?”


Já vi um pai suicidar-se.

Uma viúva se posta a seu lado;

Enquanto os filhos dizem,

“Mãezinha, o pregado nos dirá por que.”


Já vi minha mãe postar-se junto

A duas pequenas sepulturas e chorar.

E embora ela nunca me dissesse,

Sei que ficava se perguntando, “Por que?”


Já ouvi um órfão dizer baixinho,

Olhando para o céu,

“Embora meu pai e minha mãe tivessem ido embora,

meu pregador me dirá por que.”


Fui na ponta dos pés até o trono do Pai,

Tímido e inseguro.

Para dizer, “Deus amado, alguns dos que são teus,

Estão querendo saber o porquê.”


Eu O ouvi dizer com ternura,

“Seus olhos irei enxugar alegremente.

Embora tenham de olhar através da fé hoje

Amanhã saberão por que.”


“Se agora souberem as razões de

suas esperanças não terem vingado.

No céu não terão a alegria

De me ouvirem dizer o por quê.”


Descobri assim que Lhe agrada

Quando posso testemunhar,

“Confiarei em meu Deus para fazer o que é melhor,

E esperarei para saber o por quê.”

sábado, 7 de agosto de 2010

O IDIOTA

Conta-se que numa pequena cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado “de pouca inteligência”, que vivia de pequenos biscates e esmolas.

Diariamente eles chamavam o bobo ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas – uma grande de 400 réis e outra menor, de dois mil réis.

Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.

“Eu sei” – respondeu o não tão tolo assim – “ela vale cinco vezes menos, mas no dia em que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar a minha moeda”.

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.

1 – Quem parece idiota, nem sempre é.

2 – Dito em forma de pergunta: quais eram os verdadeiros tolos da história?

3 – Outra: se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.

4 – Podemos estar bem, mesmo quando os outros não tem uma boa opinião a nosso respeito.

5 – O que importa não é o que pensam de nós, mas o que realmente somos.

“O maior prazer e um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente”.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Todo homem tem culpa de ter a cara que tem

Certa vez alguém bateu na porta do escritório de Abraham Lincoln. Ele, olhando pela fresta, disse a secretária:

- Eu não vou atender este homem.

A secretária, muito constrangida disse:

- Senhor presidente, com todo respeito, por que o senhor não vai receber este sujeito?

E Abraham Lincoln respondeu: - Eu não fui com a cara dele.

E a secretária novamente lhe perguntou:

- Com todo respeito, que culpa tem este homem de ter a cara que tem?

E Lincoln respondeu:

- Minha filha, depois dos quarenta, todo homem tem culpa de ter a cara tem.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

NARCISO

Oscar Wilde
Um belo rapaz que todos os dias ia contemplar sua própria beleza num lago, era tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu nasceu uma flor que chamaram de Narciso.

Quando Narciso morreu, vieram as Oréoides – deusas do bosque – e viram o lago transformado de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.

- Por que choras? Perguntaram as Oréoides.

- Choro por Narciso – disse o lago.

- Ah! Não nos espanta que você chore por Narciso. Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.

- Mas Narciso era belo? Perguntou o lago.

- Quem mais do que você poderia saber disso? – responderam surpresas as Oréoides – afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.

O lago ficou algum tempo quieto, e por fim disse:

- Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo. Choro por Narciso, porque todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens eu podia ver, no fundo de seus olhos, minha própria beleza refletida.”

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

“O Equívoco do Pregador”

Poesia de Brewer Mattocks

O sacerdote da Paróquia da Austeridade
Subiu ao alto campanário da igreja
Para ficar mais perto de Deus,
De forma que pudesse transmitir
Sua palavra a seu povo.

Quando o sol estava alto,
Quando o sol estava baixo,
O bom homem sentado distraído
Coisas sublunares
Da transcendência
Estava ele lendo continuamente.
E de vez em quando
Ouvindo ele o ranger
Do cata-vento girando,
Fechava seus olhos edizia:
“Na verdade, de Deus estou agora aprendendo”.

E no manuscrito do sermão
Ele escrevia diariamente
O que pensava tinha vindo do céu.
E ele deixava cair isto
Sobre as cabeças do seu povo
Duas vezes num dia da semana.

Em sua hora disse Deus:
“Desça daí e morra!”
E ele gritou do campanário:
“Onde estás, Senhor?”
E o Senhor respondeu:
“Aqui embaixo no meio do meu povo”.